Salve o grito de XANGÔ, que expulsa os mentirosos.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Ago
Agô é palavra de origem iorubana que significa tanto pedido de perdão como pedido de licença. Corresponde
mais ou menos ao nosso desculpe (pedido de perdão: Desculpe-me por algo; pedido de licença: Desculpe,
posso lhe falar um pouquinho?).
Aqui, AGO aparece como a sigla de três posturas esperadas numa Casa de Santo: Amor, Gratidão e Orgulho.
Vejamos:
AMOR – Onde existe amor (aos Orixás, aos dirigentes, aos filhos, aos irmãos), não viceja o medo, a angústia,
o temor. A compaixão, outro sinônimo de amor, leva à compreensão, à empatia, à humildade, e não à
humilhação.
GRATIDÃO – A gratidão nos conecta diretamente com a verdade interior. Todas as experiências são preciosas.
“Quando perder tudo, não perca a lição.”, sugere o Dalai Lama. Mesmo as vivências extremamente difíceis nos
ensinam muito. Compreender isso não representa masoquismo, e sim gratidão.
ORGULHO – A vaidade nos enfraquece, nos faz vivenciar um falso eu (Sou o mais dedicado da casa; as contas
das minhas guias são as mais bonitas do terreiro; ninguém canta como eu; os outros não sabem tanto de
doutrina como eu etc.). Já o orgulho, quando não sintonizado com a vaidade, é sinônimo de coragem e
determinação (Carrego meus Orixás no peito; vivencio minha religião com a cabeça erguida, aceitando a todos
e sem humilhar os que tentam me humilhar etc.).
Portanto, quando pedir agô (como perdão, licença ou ambos), experimente também vivenciar e oferecer AGO.
Deixa a gira girar!
Prefeitura divulga agenda do Mês da Consciência Negra em Taboão da Serra
A Prefeitura Municipal de Taboão da Serra, através da Secretaria de
Cultura e Turismo, da Coordenadoria da Promoção e Igualdade Racial
e do Conselho Municipal do Negro (Conegro), divulga o calendário
oficial das comemorações do mês da Consciência Negra.
A abertura oficial do Mês da Consciência Negra acontecerá na segunda, 31 de
outubro, na Câmara Municipal e contará com duas palestras. Leila Dias, coordenadora
da Coordenadoria da Igualdade Racial falará sobre o “Resgate da História de Zumbi”,
em seguida, os deputados estaduais Leci Brandão e José Candido falarão sobre
“Mulheres Negras na política”.
No Cemur, nos dias 09 e 10 de novembro às 20h, haverá exibição dos filmes
“Serafina – O Som da Liberdade”, de Darrel James Roudt, e “Orfeu do Carnaval”, de
Marcel Camus, respectivamente. De acordo com Leila Dias, as novidades para esse
ano serão as palestra sobre segurança pública, no dia 12 de novembro, que reunirá
agentes da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Polícia Civil e Guarda Civil Municipal.
No feriado da Proclamação da República (15), das 12 às 18h, no Liceu de Artes haverá
roda de samba. Já no feriado da Consciência Negra (20), haverá Candomblé na Praça
Luiz Gonzaga, das 14h às 19h e no Santuário Santa Terezinha será celebrada a Missa
Afro Brasileira.
As atividades do mês da Consciência Negra encerram no sábado (26), com
apresentação cultural afro brasileira de capoeira e Bumba-Meu-Boi, feitas pelo grupos
Candearte e apresentação musical do grupo Arte Samba do Recôncavo & Osvaldinho
Teixeira.
Vera Sampaio
Cambone e a arte de ser gentil
Para os queridos Maria Das Neves, Francisco, Cida, Lilian, Maria Maia e Sílvia.
Todos somos médiuns. Evidentemente, não de psicografia ou de incorporação, por exemplo. Mas todos somos canais de contato com outros planos, atraindo espíritos benfazejos e energias positivas, ou espíritos menos evoluídos e energias negativas. Tudo depende do canal, isto é, de nós mesmos.
Num terreiro de Umbanda, o cambone (também conhecido como o cambono/a cambona) constitui-se numa das sustentações da gira, assim como os pontos cantados, os toques e outros elementos. Daí a importância de seu trabalho consciente, calcado no Orai e vigiai preconizado pelo Mestre Jesus. Alguns exercem a função temporariamente, pois em breve começarão a incorporar. Outros, os que não incorporam, são convidados a exercê-la durante todo o tempo em que permanecerem no terreiro.
Para cambonear com mais eficiência e devoção, é necessário ser gentil. Com os Orixás, Guias e Guardiões certamente é mais fácil. Mas com os próprios médiuns da casa nem sempre, em especial com aqueles que costumam ditar ordens durante as giras, a despeito das orientações já recebidas pelos cambones dos pais e mães ou dos próprios Orixás, Guias e Guardiões. Por vezes, na ânsia de auxiliar (ou mostrar serviço...), irmãos menos esclarecidos desconcentram os cambones, até mesmo empurrando-os. Se o cambone perder a paciência, certamente baixará o padrão vibratório. Uma sugestão bem prática para esses casos é deixar para chamar depois da gira a atenção do irmão que atrapalhou. Quando isso não é possível, discretamente avisá-lo de que está atrapalhando.
Para a assistência o cambone é o espelho da casa, pois distribui senhas, encaminha os atendimentos e se comporta com discrição durante os passes e as consultas. Veja-se a importância de receber amorosamente a todos, sem distinção. E também com firmeza (o que não exclui a amorosidade) para se evitar tumulto, barulho e outros que possam atrapalhar a gira.
Durante os trabalhos, o cambone deve estar atento a tudo, ao gesto de um Guia o chamando, a alguma das crianças que possa ter ido ao banheiro sem ter avisado algum adulto, à porta do terreiro (se não há ninguém lá fora atrapalhando ou “vistoriando” veículos) etc. Enquanto percorre a casa com os olhos, certamente cantará pontos, baterá palmas, em colaboração com o coro/os Ogãs, uma vez que os demais médiuns estarão incorporados ou em desincorporação.
As funções do cambone nos recordam que, em Espiritualidade, todo trabalho consciente e sincero é bem-vindo. Um terreiro sem um pai ou uma mãe consciente, caminhará com dificuldade. O mesmo pode-se dizer de um terreiro em que os cambones se deixem levar pelo orgulho, pela falsa modéstia, pela fofoca, pela indiscrição. Mestre Jesus lavou os pés dos discípulos, a nos lembrar que, em Espiritualidade, função (Babá, Ogã, Cambone etc.) é serviço, não distinção.
O contato constante e direto com os Orixás, Guias, Guardiões (não importa!) é motivo de experiências amorosas, alegres e divertidas (embora, infelizmente, líderes religiosos nem sempre sejam bem-humorados, confundido seriedade com sisudez, a Espiritualidade amiga caminha em outro sentido). Lembro-me de uma médium que não levava para as giras os charutos pedidos por seu Caboclo, por seu Baiano etc., mas sim de outra qualidade. Como cambone, eu já lhe havia avisado, em particular. Numa gira, o Baiano e eu tentamos fazer o charuto “funcionar”. Depois de aceso, o Baiano me pediu para dar uma batidinha. Concentrado no charuto, dei umas batidinhas no charuto, ao que ele me disse “Não, aquela batidinha de beber!”. A cada gira, uma nova aventura...
*
O termo cambone/cambono vem de Tata Cambono, o Ogã responsável, em terreiros bantos/Nação Angola, por dirigir a orquestra e puxar os cânticos. Aliás, na informalidade do vocabulário plural dos terreiros de Candomblé, já encontrei “Cambono” como o sinônimo “Angola” de Ogã, independentemente da função específica. Em minha casa de origem, o Ilê Iya Tundé, por exemplo, casa em que Ketu e Angola se mesclaram (a ialorixá vem do Ketu, mas há muitos anos, com o falecimento de seu babalorixá, virou para o Angola), onde se canta ora em “Angola”, ora em iorubá, ora em português, minha dijina (em iorubá) vem precedida de “Tata” (“Angola”): Tata Obasiré.
*
“Cambones, cambones meus/meus cambones/olha que Ogum vai ao ló.”
Gentileza abre portas e corações!
Deixa a gira girar!
Crianças e a Umbanda
A participação das crianças na Umbanda pode e deve ser bastante ativa. Além de elas se sentirem em casa em todas as atividades do terreiro, em especial nas giras, todos os Orixás e guias as tratam com carinho, respeito e deferência. E não podia ser diferente, uma vez que o Mestre Jesus pediu que sempre deixássemos chegar pertinho dEle as crianças.
Estabelecer limites para as crianças não significa tolher sua liberdade. Se hoje estão numa casa de Umbanda e amanhã, já adultos, resolvem deixá-la, não há problema algum: levarão com elas a força dos Orixás, os ensinamentos éticos, a firmeza dos sacramentos recebidos e dos trabalhos de que tenham participado. Vale lembrar: o livre-arbítrio é um de nossos maiores dons, e as portas de uma casa de Umbanda estão sempre abertas, não apenas para entrar, mas também para sair quando a caminhada espiritual de cada um (ou mesmo outra razão) assim determinar.
Para que as crianças se sintam ainda mais à vontade na casa, é importante combinar algumas atividades específicas com elas: dinâmicas de grupo, dramatizações, jogos e brincadeiras, música (incluindo toque) e outros. Recentemente, na Tenda de Umbanda Caboclo Pena Branca, em Piracicaba – SP, preparamos juntos (crianças, adolescentes, adultos e eu) uma apresentação para a Festa dos Baianos, que aconteceu no dia 20 de novembro deste ano. Foi o primeiro passo para um projeto cultural mais amplo que a casa começa a desenvolver.
Em linhas gerais, a homenagem ao Senhor do Bonfim (o mote da apresentação foi: Homenagear o Senhor do Bonfim é homenagear a Linha dos Baianos) contou com uma pequena entrada, em que os meninos cantaram “Ilha de Maré”, como se fosse numa Lavagem. Todos foram acolhidos pelo Seu Zé Pelintra, que estava em terra (um dos adolescentes estava caracterizado como Seu Zé). Em seguida, cantaram “Oni Saurê”, “Toda sexta-feira todo mundo é baiano” e o “Hino do Senhor do Bonfim”. Os adultos ficaram encantados, emocionados. Durante a festa, fitinhas do Senhor do Bonfim foram distribuídas aos médiuns e à assistência.
Em 2011, além de implementarmos juntos (dirigentes espirituais, diretoria, voluntários e eu) o projeto cultural da casa e viabilizarmos a apresentação das crianças e dos adolescentes nas festas da terreiro, pretendemos também oferecer oficinas e workshops para irmãos de outros terreiros que desejem coordenar atividades semelhantes com os meninos de suas casas.
Omi Ibejada! Que as crianças de lá e de cá nos ajudem sempre a viver a vida com mais leveza, alegria e esperança. Afinal, brincar é atividade que exige concentração, comprometimento, entrega.
Deixa a gira girar!
Jupira
A brisa leve com suas mãos transparentes,
lambe as verdes folhas soltas no ar.
Ao som dos pássaros cantando melodiosa e mansamente
Sucessivamente como canções de ninar.
Arrastam seu pensamento até a linda fonte,
de águas tão límpidas rolando sobre pedras coloridas.
O olhar perdido no horizonte,
Quem sabe há uma jóia nas pedras,escondida?
de águas tão límpidas rolando sobre pedras coloridas.
O olhar perdido no horizonte,
Quem sabe há uma jóia nas pedras,escondida?
Para enfeitar o cabelo tão negro e macio,
da linda mocinha de pele morena.
Sentada na relva às margens do rio.
Seu nome Jupira, cabocla serena.
Amiga do vento, do sol e por certo,da linda mocinha de pele morena.
Sentada na relva às margens do rio.
Seu nome Jupira, cabocla serena.
da lua que clareia as noites na mata.
Também das estrelas que brilham no céu.
Menina linda, pura e tão calma,Também das estrelas que brilham no céu.
como águas mansas no riacho a rolar.
Traz na verdade dentro de sua alma,
uma grande guerreira disposta a lutar.
Ela é filha querida do Pai Oxalá.
As 7 lágrimas de um Preto Velho
Para iniciar meu trabalho pela Umbanda aqui em NOSSO blog, deixo uma mensagem que carrego sempre comigo. Muitos já conhecem, mas, é sempre válido revê-la, pois, os ensinamentos dos nossos queridos Pretos Velhos, nunca são demais.
Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, fumando seu cachimbo, um triste preto velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas pelas faces e sei porque as contei… Foram sete. Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei:
- Fala meu preto velho, diz ao teu filho por que externas assim um tão visível dor? E ele suavemente
respondeu:
respondeu:
- Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.
. A PRIMEIRA, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando àquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber.
. A PRIMEIRA, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando àquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber.
. A SEGUNDA , a esses eternos duvidosos que acreditam , desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar àquilo que seus próprios merecimentos negam.
. A TERCEIRA, distribuí aos maus, àqueles que somente procuram a Umbanda, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar seu semelhante.
. A QUARTA, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram se beneficiar dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.
. A QUINTA, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na Umbanda, nos seus Caboclos e no seu Zambi, mas, somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo...
. A SEXTA, eu dei aos fúteis que vão de centro em centro não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.
. A SÉTIMA filho, nota como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última, aquela que vive nos
"olhos" de todos os Orixás. Fiz doação dessas aos médiuns vaidosos que só aparecem no terreiro em dia de festa e faltam às doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo materno e espiritual.
Assim, filho meu, foi para esses todos, que vistes cair, uma a uma.
Assim, filho meu, foi para esses todos, que vistes cair, uma a uma.
As Sete Lágrimas de um Preto Velho.
Autor Desconhecido
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